Palindrum | História
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História

Em 2010, passeando como turista pelas ruas de Barcelona, fiquei deslumbrado pelo som de um grupo instrumental que se apresentava numa praça pública. O grupo era formado por violões, percussão e um instrumento que desconhecia. O instrumento se compunha de duas placas metálicas convexas, sobrepostas, de forma a gerar algo que parecia um pequeno disco voador. Sobre a parte superior convexa notava sete círculos contornando o instrumento mais um central. O músico percutia nesses círculos com os dedos e o instrumento projetava notas musicais afinadas com uma intrigante sonoridade metálica. Comprei ali mesmo 2 CDs do grupo.

O instrumento era o Hang Drum.

Ao voltar para o Brasil, a audição dos CDs frustrou, devido a forma extremamente redundante como o hang drum era usado. Depois da terceira ou quarta música ficava tudo muito parecido.

Três anos depois Daniel, meu filho, descobriu pela Internet o instrumento e se deslumbrou com ele. Pesquisando entendeu que a fabricação do instrumento era artesanal e que sua compra exigia a espera de até 7 anos em fabricantes na Europa, mas que em Los Angeles podia-se enfrentar uma fila de “apenas” um ano. Nos cadastramos e entramos na fila. Um ano depois fomos aos USA buscar o instrumento.

O hang drum surpreendeu pela perfeita afinação, qualidade do som e originalidade. O timbre metálico e pleno de harmônicos tinha uma rusticidade que fascinava. Foi quando imaginei integrá-lo a um grupo de instrumentos, de forma a dar a ele uma utilização mais diversificada.

Nascia assim a ideia do grupo. Elegi para formar o conjunto o piano, violoncelo e percussão, o que preenchia uma gama ideal de frequências musicais, do grave ao agudo e possibilitava um trabalho que navegasse entre a sonoridade erudita e a mais popular.

Em 2014 iniciei os trabalhos de composição para essa formação, tentando me inspirar no bom gosto e originalidade de professores que tive nas matérias de Arranjos e Composição, como os maestros Edmundo Villani Cortês e H. J. Koellreutter.

Queria fazer uma música que estivesse apoiada numa raiz brasileira, mas sem deixar de considerar influências do que mais admiro como estilos musicais: o jazz, o rock progressivo, a música impressionista, a politonalidade, as experiências seriais e outras da música erudita contemporânea.

 

O NOME

Comecei a compor músicas e arranjos adaptados para a formação escolhida – piano, cello, bateria/percussão e o hang drum de onde toda a ideia do projeto se originava e em torno do qual o grupo orbitaria, até mesmo pela singularidade estética e timbrística que ele representava.

Tendo em mente o conceito de que a música de grupo deveria exprimir algo que soasse novo ou inesperado aos ouvidos das pessoas interessadas por música, algo que muitas vezes representasse até mesmo o inverso das expectativas dos ouvidos massacrados pelas mesmices da música comercial divulgada pelas rádios e tevês, lembrei-me da palavra PALÍNDROMO.

Segundo o dicionário Michaelis:

pa.lín.dro.mo
adj+sm (pálin+dromo) Diz-se de verso ou frase que tem o mesmo sentido da esquerda para a direita ou ao contrário.

A palavra era sonora e tinha um significado sugestivo para o grupo. Um amigo comentou:

“Em espanhol é igual, em francês Palindrome, em alemão Palindrom, em italiano Palindromo, em inglês Palindrome… A palavra é boa porque quase não muda em vários idiomas.”

Mas a sonoridade da tradução para o inglês me seduziu… Palidrome…, onde as duas últimas sílabas – “drome” – soam como “drum”, cujo significado é percussão.

Tomei então a liberdade de criar uma corruptela a partir da palavra palíndromo. O grupo estava batizado: PALINDRUM.